O Acervo Butô é um espaço museal arquivístico performativo dedicado à dança Butô em seus múltiplos modos de agenciamento e ativação, com foco em metodologias de criação, direção, atuação e outras. O Acervo Butô visa produzir movimento, a partir da criação transdisciplinar de espetáculos, cenas, performances, processos performativos, materiais audiovisuais e objetos de artes visuais, tendo como mote as práticas de grafia em suas operações de arquivo.
“‘土から生まれた’
‘Venho da lama’ (Hijikata apud Fraleigh, 2010, Tradução Ian Habib)
Lama, barro, solo, na frase de Hijikata, interligam etimologicamente uma série de significados que apontam para uma cosmologia da transformação corporal a partir do êxtase. O termo Butô é encurtamento (Klein, 1988) advindo de Ankoku Butô e foi cunhado por Tatsumi Hijikata (1928–1986) (Hijikata, 1988) para apresentar sua dança, por ocasião da performance Kinjiki (禁色) (1959). A performance de 15 minutos era integrada por uma galinha, por Hijikata, por Kazuo Ohno (1996-2010) e seu filho, então jovem, Yoshito Ohno (1938-2020). (...) Seguindo esses mesmos princípios, Hijikata e a dançarina Yoko Ashikawa se organizaram para manifestar ‘Hangi Daitokan’, ou seja ‘a grande experiência da dança como um ritual de sacrifício com a cremação do corpo’ (Liao, 2006, p. 59). Ela indica que, na filosofia da dança de Hijikata, o corpo tem que deixar de ser ele mesmo, isto é, não sendo mais o corpo das pessoas dançarinas, de forma que outras imagens do mundo possam usá-lo para se apresentar (Liao, 2006). Essa apresentação se dá através dos princípios de transformação corporal de encontrar e transformar, em que a pessoa que dança se encontra com uma imagem e se transforma nela. A dança Butô é, então, (...) [baseada] na transformação do corpo e se inicia com cremar-se. A palavra Butô foi originada na China e sua etimologia se refere à dança (buyô), em bu, e ao passo, em tô, junção que indica modos de movimento em aterramento, ou seja, em relação ao solo: “Eu nunca pularia ou deixaria o solo; é no solo que eu danço” (Hijikata apud Holborn, 1987, p. 8). (...). Transformação corporal aqui é compreendida como o sair de si no encontro com o não-humano/[mais-que-humano], já que quem dança se transforma em uma miríade de seres como insetos, plantas, pessoas e matérias.” HABIB, Ian Guimarães. Corpos Transformacionais: a transformação corporal nas artes da cena. 2021. Dissertação (Mestrado em Dança) – Escola de Dança, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/36301.
O Butô é uma dança metamórfica que opera a transformação corporal. O MUTHA tem em seu escopo amplo de atuação principal as poéticas e políticas da transformação corporal, desde a mutação, a metamorfose, dentre outras. A dança Butô inspira todo o processo de produção do MUTHA, desde o seu início, um museu também mutante e metamórfico. O MUTHA surgiu da censura do corpo de Ian Habib em um espetáculo denominado Sebastian, em 2018, durante o FITUB, em Blumenau – Santa Catarina. Em Sebastian, Habib pesquisava princípios do Corpo Transformacional (2021) no Butô.
HABIB, Ian Guimarães. Corpos Transformacionais: a transformação corporal nas artes da cena. 2021. Dissertação (Mestrado em Dança) – Escola de Dança, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/36301.
O projeto 0502/2025 foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte/ Edital Multilinguagens 2025 e propõe a criação deste arquivo, através de uma coleção museal. Este é o 1º acervo público museal sobre Butô no Brasil e será criado a partir dos ensinamentos de Tatsumi Hijikata, o criador da dança japonesa Butô. O acervo foi captado em Oakland - Califórnia - EUA e é composto de 40 vídeos, imagens e objetos de arte de trabalho do método, tombados e musealizados no MUTHA. O método é composto de indicações de movimento, coreografias, explicações de práticas e filosofias e é ensinado coletivamente em estúdio.
Concepção e produção executiva: Ian Guimarães Habib
Autoria de cadernos de artista e objetos museais: Ian Guimarães Habib
Design: Denu e Júlia Seibel
Montagem e legendagem: Nube Abe
Docente curso virtual de Butô: Nube Abe
Docente residência: Ian Guimarães Habib
Direção cênica do espetáculo final: Ian Guimarães Habib
Tradução: Renato San
Vídeo de entrada e saída: Denu e Júlia Seibel
Museóloga e responsável técnica: Mayara Lacal
Produção e Logística: Mayara Lacal, Nube Abe e Tânia Maria
T.I e webdesign: Arthur Mayan
Contabilidade: Bureau Azziz
Acessibilidade: Maré
Apoio: Centro Cultural Venda Nova – Prefeitura de Belo Horizonte - MG
Realização e apoio: Este projeto foi realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte/ Edital Multilinguagens 2025