Identificação e Características do Objeto
Miniatura

Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
101
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.AL.2024.0101
Objeto
Fotografia
Título
Anyky ensinando a fazer o número um
Autoria
Desconhecida. “Bruno Banjo ou Carizu.” (Jomaka, Acervos Transcestrais, 2024)
Identidade e Subjetivação
03/05/1991 (Jomaka) | Belo Horizonte (Jomaka) | Intersexo (Jomaka) | Transmasculine (Jomaka)
Descrição Intríseca
Fotografia colorida. Em uma sala com equipamentos eletrônicos, Anyky Lima, uma senhora branca de cabelos grisalhos está sentada, ela olha fixamente para a câmera. Ela usa um vestido de estampa floral e mostra o dedo do meio com sua mão direita enquanto a outra repousa em sua coxa. Em sua direita Jomaka, um jovem branco de cabelos pretos, imita sua pose, usa uma regata cinza com estampa azul formando listras horizontais azuis. Ele segura um cigarro e um copo de bebida em suas mãos. No canto inferior esquerdo da foto, pés e mãos e um descanso de braço de uma cadeira.
Dimensões
534x548
Material
Digital
Origem
Belo Horizonte/Minas Gerais
Procedência
Belo Horizonte/Minas Gerais
Observações
Não
Tipo de Aquisição
Doação
Pessoa ex-proprietária
Jomaka
Data de Aquisição
outubro 15, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Maiores de 12 anos
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Aí ela falou que ia me ensinar a fazer o sinal do número 1. Aí. Na hora de tirar a foto. [...] Nesse dia ela fez a rabada. Tinha umas dez pessoas que ela chamou. [...] foi o Banjo. Ou o Rodrigo Carizu. Foi... Fomos nós. Nós três. O Lui não podia ir nesse dia. [...] É, ela gostava. Gostava muito. O Banjo é muito... Teve mais proximidade com ela do que eu. O Banjo. O Rodrigo eu acho que a gente levou mesmo, entendeu? Que era da banda. Mas não tinha nada a ver com a banda. É porque a gente é amigo. Aí, sei lá. “Vamos lá, Rodrigo, também!” Ai ele foi. Mas ela chamou. Eu acho que foi só eu e o Banjo. [...] Eu escolhi essa foto pelo motivo, né, que é bem a cara da Anyky Lima, fazendo gracinha, bem debochada, e é isso, né? Ela também não media muitas palavras, falava palavrão, ela não tinha, não tinha esse negócio de ser garotinha dos bons modos, não, ela era bem sem modos. [Risos] Ela não gostava que ninguém entrasse na cozinha, não. Quando ela ia cozinhar, a gente chegava lá, a comida já tava mais ou menos no jeito, ninguém punha as mãos nas panelas dela. E aí a gente ficava mais na sala, porque, como eu disse, a casa era uma casa também de acolhimento. Então você chegava assim, tinha uma garagem e aí já tinha uma sala, e essa é uma foto que a gente tá na sala, e era uma sala comprida, aí colocava um monte de cadeira em círculos, ficava em círculo, né? Ficava todo mundo sentado assim, e não acessava as outras partes da casa, só o banheiro, que ficava bem em frente, porque o quarto dela ficava, era o primeiro quarto, assim, à esquerda, e à direita, assim, do banheiro, já era o quarto das meninas. Então a gente quase não entrava, o máximo era no quarto dela, quando ela tava deitada. Eu já deitei na cama dela uma vez, ela falava “Vem cá, tô carente”. Aí fazia massagem nela, eu ia, deitava na cama. Mas assim, geralmente ficava todo mundo dentro da sala, e nessa parte da garagem, que aí já dava mais para a rua, então era onde circulava mais ar. Aí a gente aí! Ficou e passou a tarde aí, e ela falava “Hoje nós vamos tomar cerveja, não sei o que, e comer meu rabo, ó, não, quer dizer, minha rabata”. Ficava fazendo gracinha. [...] Aí era isso, ela ficava satisfeita de cozinhar e de ver as pessoas comendo, e a comida dela era muito gostosa, então ficava todo mundo assim... Comendo, com muita, sabe? Quando você come, até aquele silêncio, era uma comida muito boa. [...] Comida de vó. Ela tomava remédio, ela não podia beber não, mas aí assim, esse dia aí ela falou, “Ah, eu vou tomar só um copinho”. Tomou um copinho e fumou um cigarrão. [...] Foi legal, porque foi eu, o Banjo e o Rodrigo que fomos juntos, né? E aí a gente conhecia a maioria das pessoas que tavam lá, então foi um momento também de socializar, assim, com pessoas tudo ativistas, a Gisela tava lá também, então ficava conversando mais de política mesmo, falava mal dos outro, ela adorava falar mal, aí ficava a gente lá escorrendo uns venenos, fazendo piada, é isso, bem casa de vó mesmo, assim, aquele povo. [...] tinha cis também, tudo do movimento social, ou era dos CELOS, ou era da ANTRA, ou era daquela que a Rhany também participava, e de Rede Afro, era o povo tudo da política que ela andava, todo mundo de alguma forma era da política. [...] Foi um domingo, porque ela saiu mexendo com a gente no telefone mesmo, acho que foi no dia anterior, falando que ia fazer rabada, ela mandava uns áudios imensos, engraçadíssimos, e falando que ia fazer, que era para a gente ir, aí foi um dia normal mesmo, um domingo. [...] Ela ficava falando do bucetão “Ai meu bucetão!”, porque tinha uma música de “cai de boca no bucetão”, aí ela “Ai meu bucetão!”, não sei o que, ela ficava rindo da gente também, das músicas. [sobre mascucetas] [...] É, essa aí foi um dia bem normal, assim, não era evento, não era nada, não tem nada.” (Jomaka, Acervos Transcestrais, 2024).
Período
Domingo. Entre 2018 e 2019.
Referências Bibliográficas
Não
Exposições
Não
Publicações
Redes Sociais - Anyky Lima e Jomaka
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
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Registrado por
Ian Habib | Mayara Lacal | Beatriz Falleiros
Data de Registro
fevereiro 20, 2025