Identificação e Características do Objeto
Miniatura

Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
164
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.DC.2024.0164
Objeto
Fotografia digital de fotografia analógica
Título
Fotinho da Matrícula da Escola do Ensino Médio
Autoria
Desconhecida
Identidade e Subjetivação
20 de Maio de 1996 (Demétrio Campos) | Afro-Indígena (Demétrio Campos) | Homem Transmasculino (Demétrio Campos) | Ivoni Campos: “Primeiro transmasculino quilombola do Brasil, pesquisei e não localizei outros” | Macaé/Rio de Janeiro (Demétrio Campos) | Quilombola (Demétrio Campos)
Descrição Intrínseca
Fotografia colorida. Sobre um fundo branco uma fotografia 3 x 4 cm de Demétrio Campos, uma pessoa transmasculina de cabelos black, com olhos castanhos, com maxilar bem acentuado. Ele usa uma camiseta branca.
Dimensões
899x1599 pixels
Material
Digital
Origem
Tamoios (Terra Indígena e Quilombola)/Cabo Frio/RJ
Procedência
Foto analógica Tamoios (Terra Indígena e Quilombola)/Cabo Frio/RJ e digitalizada em Belo Horizonte/BH
Observações
Não
Tipo de Aquisição
Doação
Pessoa ex-proprietária
Ivoni Campos
Data de Aquisição
outubro 15, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Esse Demétrio tinha acho que 13 anos, se eu não me engano. Tava no ensino médio. [...] Acabava de sair do ensino fundamental pro ensino médio, se eu não me engano. Eu acho que foi o primeiro ano do ensino médio. [...] É... Fotinha da escola do ensino médio. Primeiro ano do ensino médio. Essa foto foi tirada pra fazer matrícula. Eu não esqueço nunca. [Risos] [...] Fotinho da matrícula da escola do ensino médio. Eu briguei ainda. Você pode ver que ele tava com o cabelo meio em coisa. Eu briguei ainda. “Falei, poxa, Demétrio, você vai tirarfoto pra escola?” Porque essa foto aí saía no cartão do ônibus, né? Eu tinha até o cartão do ônibus, eu perdi. Não sei o que eu fiz com o cartão do ônibus, mas ele tinha. Esse cabelo aí do lado jogado. Eu falei “Você vai sair nessa foto sem ele?” “Ah, mãe, deixa.” Aí saiu essa foto aí, ficou... Que era a foto que tinha que entregar na escola pra botar lá no prontuário da escola e fazer o cartão que era pra pegar o ônibus. Daquele RioCard, né? Que antigamente usava pra pegar o ônibus. [...] colégio Lelé, entendeu? É colégio estadual... Eu sei que é Praça das Primaveras, em Casimiro de Abreu, em Barra de São João, em Casimiro de Abreu. [...] A foto foi tirada em Tamoios, entendeu? Mas o nome da escola é Lelé. O pessoal chamava Lelé. Até hoje é Lelé. Entendeu? Tem dois colégios estaduais, um de frente pro outro. Tem o Santa Maria, que Letícia estudou. O Demétrio quis estudar no Lelé. Eu não queria que ele estudasse no Lelé, entendeu? Porque o Lelé era muito vandalizado. Mas ele gostava de andar no meio dos doidos, dos malucos. Ele não estava nem aí. “Mãe, eu vou estudar no Lelé.”. Eu falei, “Ah...”. Tive que colocar ele no Lelé. [...] toda organizada, toda disciplinada. Agora ele não. Ele quis estudar no Lelé. Foi lá que ele terminou. No último mês, no médio, ele quase desistiu. Entendeu? Ele ia pra escola. Às vezes, eu levava ele na escola pra ele... quase, por pouco. Entendeu? Que ele já não aguentava mais. Porque é exaustivo estudar, né, gente? [...] Tinha 13 anos de idade. Tinha 13 anos. Porque ele saiu, ele estudou no Edith Castro. O Edith Castro, eu fiz a matricula dele no Lelé. Entendeu? Essa fase foi a fase que ele tava começando a descobrir as coisas. Foi o primeiro show do Paramore que ele foi. Gente, eu lembro que eu parcelei o ingresso não sei quantas vezes no cartão de crédito. Meu Deus, eu sempre fui uma mãe muito doida. [...] Parcelei o ingresso. Gente, eu não esqueço nunca disso. Eu coloquei ele num ônibus pro Rio de Janeiro. Mas eu chorei tanto, tanto, tanto. Ele todo bobo, com a mochila nas costas, na beira da pista. E daqui pro Rio de Janeiro era duas horas de viagem. Todo mundo falou assim, “Você é doida?” Entendeu? E ele foi... Dormiu na fila, né? Tinha que dormir na fila. Foi o primeiro show do Paramore no Rio de Janeiro. Entendeu? Foi porque dormiu na fila, conheceu uma porção de gente, voltou de lá. Todo bobo, rindo à toa. [...] ele foi no show do Paramore. Tem lembrancinhas aqui em casa até hoje. Tem uma camisa que ele comprou. Eu dei dinheirinho pra ele. Falei, “Olha, eu não tenho como gastar. Você não tem como gastar muito dinheiro.” Dei pro lanche, dei pra coisa. Aí ele comprou, acho que três brochinhos do Paramore. Comprou uma camisa. Ele é aquela vagabundinha, sabe? Mas a camisa tá aqui até hoje. A camisa e os brochinhos. Ele sempre guardou. Sempre guardou com muito cuidado, com muito afeto. Ele amava o Paramore. [...] Letícia nunca foi assim, de me dar muito trabalho, sabe? Nunca quis, mas Demétrio
não. Demétrio tinha vida dentro dele. Demétrio tinha fome de viver, entendeu? Fome de ver as coisas. Fome de liberdade.” (Ivoni Campos, Acervos Transcestrais, 2024)
Período
2009
Referências Bibliográficas
Não
Objetos Associados
MUTHA.AH.AD.AT.DC.2024.0163, MUTHA.AH.AD.AT.DC.2024.0162
Exposições
Não
Publicações
Não
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
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Registrado por
Ian Habib | Mayara Lacal | Mayara Lacal | Beatriz Falleiros
Data de Registro
fevereiro 19, 2025