Identificação e Características do Objeto
Miniatura

Número de Tombo
54
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AV.FG.2022.0054
Objeto
Recorte de foto analógica digitalizada
Título (principal)
Eu era feliz e não sabia
Autoria
Jorge (dono da Boate Esquis) “É, ele que é... ele que tirava as fotos da gente e.. eu acho que depois que desfez da casa a gente chegou até se falar por telefone ele havia me dito que todo aquele acervo que ele tinha ele desfez, porque? porque tinha muita gente já tinha falecido, ele não estava achando confortável estar com aquele álbum, eu disse mas tem gente que se foi mas tem gente que ainda está aqui como eu que está falando aqui agora.” (Fabiane Galvão, Arquivo Vivo, 2022)
Descrição Intrínseca
Recorte de foto analógica digitalizada. A foto está recortada em formato arredondado e está bastante marcada em diversos trechos. É uma foto de corpo inteiro, mas a região dos pés de Fabiane Galvão já está bastante desgastada e sem tinta. Na foto, Fabiane Galvão está ruiva e de batom vermelho, usa um vestido de festa preto decotado nas laterais, luvas até os cotovelos e sapatos de salto brancos. Ela está em um recinto com balões e decoração festiva de corações vermelhos.
Dimensões
607 x 1 195 (212 KB)
Material
Digital
Origem
Salvador/Bahia
Procedência
Salvador/Bahia
Tipo de Aquisição
Doação
Pessoa ex-proprietária
Fabiane Galvão
Data de Aquisição
fevereiro 15, 2022
Estado de Conservação
Regular
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Ô essa, essa foto aí é... na época né... dos do... de shows né, quando ainda tava começando a fluir essas, essa questão de palco de brilho, então teve um, um trio na época, que eles é.. montaram um bar era um bar e um restaurante mas eles aí queriam algo mais além do bar e restaurante, e aí me, me procuraram para fazer uma proposta né de , pra eu passar a trabalhar fazendo show lá nesse restaurante deles. [...] E aí é o é encarei o desafio que ao mesmo tempo que era estranho, mas depois começou a ficar algo tão é… agradável e que as pessoas quando iam né pra fazer... para tomar uma cerveja ou até para jantar mesmo, que eles também serviam uma... a janta né a noite, então eles se depararam com algumas performances da gente lá, então isso é... causava assim surpresa estranheza mas ao mesmo tempo agradava todo mundo, e... e daí foi é... sendo convidada outras pessoas até que ele resolveu botar isso de forma permanente enquanto ele tinha essa aqui no centro né, da cidade, e aí passaram várias pessoas né de show muita gente boa, que fez parte daquela história ali e eu fui umas das primeiras a... a trabalhar lá com eles e foi, e foi assim algo que me deu um prazer, me deu aquela sensação de que realmente alguém estava dando a oportunidade de… de comandar um trabalho ali e eu fui ficando, só que ai com o passar do tempo eles desfizeram da do... da sociedade entre eles e aí a casa é, não é... funcionou mais, eles desativaram tudo me… foi, foram momentos épocas que, que a gente não perde com tempo, porque fica tão guardadinho na nossa memória tudo isso, ai essa foto já me remete lá olhe, lá praquele palco aquela, que era um palco na época improvisado viu, depois eles começaram a melhorar um pouco as coisas pra gente lá para poder trabalhar e aí foi, foi fluindo, e o Esquis, que era denominado o nome desse bar aqui… [...] Passou a ser um nome de referência também nas noites de Salvador… [...] Pra quem chegasse aqui em Salvador e quisesse assistir um show tomar uma cerveja ou comer alguma coisa, era um opção que tinha aqui em salvador, era esse bar, na verdade, depois eles passaram a botar como boate, boate Esquis. [...] E aí foi , foi uma coisa que… [...] É, era a… a gente chamava de: os três reis magos. [...] Era é... é Jorge Cavalcante, Florencio e... e… o nosso saudoso Antônio que esse já é falecido. [...] Eram eles que, eles que comandavam lá todo, toda a organização do show de tudo. [...] na época só tínhamos aqui duas casas de show, até então que eu tivesse conhecimento eu sei que quando eu comecei a fazer show a andar pelo centro tinha outras, outras portas mas que eram ainda desconhecidas pra mim, mas as portas que eu consegui logo de imediato foram a Tropical, a boate Tropical, que na verdade não era... no campo grande era assim ali na rua Chile, e tinha a Homes, que a boate mais, assim, vamos dizer a sofistificada que so ia assim elite que só ia aquele pessoal mais é... aprimorado né da época. e a os esquis que era um... um local onde eles não tinham distinção de ninguém entrava ali de a a z não tinha aquela coisa assim padrão qualquer pessoa podia chegar ali e ser bem recebido, entendeu ser bem tratado, enfim, era algo que pra pra comunidade ficou uma coisa, tanto no bolso quanto nas noites né, tinha essa opção de estar num lugar que a gente pode se distrair dançar é interagir com outras pessoas sem gastar muito. [...] E a gente se divertia bastante ali, eu então nem se fala. [...] Eu era feliz e não sabia.” [...] eu recortei na verdade, essa daí ela é maior mesmo, eram aqueles álbuns enormes e aí essa foto era bem... tinham mais coisas aí, só que daí eu recortei, ficou só esse pedacinho meu aí. [...] Olhe para você ver o tempo que tem essa foto que até a minha, o meu rosto tá aquele rosto gordão né? Eu não sou esse rosto tão gordo assim e tá bem né, aquela carinha assim, inchadona. [...] foi porque realmente com o tempo, é.. porque é. essa.. é minha… algumas fotos minhas ficou indo de um canto para outro, então é.. é a maioria das fotos que eu tinha eu tenho ainda… [...] é ficava em um lugar úmido, aí pegou umidade aí foi algumas fotos foi se.. se desmanchando é, mas não foi nada é... nada pessoal não. Aí a turma toda aí em volta ave maria é, era uma.. uma família que a gente ao longo do tempo foi criando né, era um clientes mas que se transformavam em pessoas que a gente convivia todo final de semana, então virou uma família. [...] Salvador essa, essa casa ficava situada ali na Carlos Gomes. [...] Que hoje, agora é... é uma escola de cabeleireiros. [...] Mas é era uma... era uma... era um point da gente era ali, todas é na verdade isso aí começava Ian, a partir de quinta-feira, quinta feira já tinha é casa cheia. [...] E o negócio foi evoluindo ao longo do tempo né, que ele começou, passou a fazer isso de segunda à segunda deixar essa casa fluir de segunda a segunda, que ele só, ele só fazia esses eventos aos finais de semana, sexta sábado e domingo, quando começou a pegar movimento as pessoas foram querendo conhecer ele aí passou para quinta feira e nesta quinta feira ele aí só, vamos botar a semana toda de… de... de show a gente é movimentar mais o espaço e deu certo só que tudo né, tudo tem começo meio e fim, né?! Então acabou mas fica a saudade fica a lembrança né, através dessa foto aí, eu espero que ele tenha mais algumas coisas guardadas que não tenha jogado tudo fora não, porque é muito importante, até pra nossa comunidade pessoal que que nao conhece que nunca conheceu isso aí Ian, ter uma noção de mais ou menos como era né as casa na época de show. [...] ele só trabalhava com o show de transformistas. [...] É ele.. ele foi.. é esse Jorge, ele foi assim é tão evolutivo nesse quesito de espetáculos de show, ele chegou a levar algumas coisas para o teatro, ele levou isso para um teatro, ele trouxe Marlene Casanova na época, ele trouxe Rogéria na época. [...] Quando Rogéria.. é quando Rogéria ainda estava naquele auge todo, ele conseguiu trazer essas pessoas para essa casa aí, ele trouxe nada mais nada menos que, eu não sei se você conheceu, já ouviu falar de Jorge Lafond. [...] Pois é Jorge Lafond, esteve nessa casa aí, nesse barzinho aí, ó onde eu estou aí agora nessa foto, ele esteve aí. [...] E ele levou um show para o teatro eu até participei também fazendo um show e aí, minha mãe na época, tinha uma barraca, um... uma… um quiosque de praia e eu fiz o convite para Jorge Lafond ir lá na praia porque minha mãe queria conhecer e tal, só que como ele estava é uma pessoa famosa, mais famosa do que eu eu achei que nao ia dar certo, só que quando foi no dia seguinte ele estava lá na praia procurando a barraca de minha mãe querendo falar com minha mãe, quando eu vi aquela criatura de dois metros de altura sabe, careca aquela negona maravilhosa, lá procurando a gente, aquilo ali foi, eu disse gente então eu não sou tão pequenininha assim, como assim... para conseguir trazer Jorge Lafond até aqui, foi...foi demais, foi o tope dos topes. [...] É… e uma alma também, maravilhosa, um menino assim... porque ele poderia até não ir né, dizer ai vou fazer o que lá, não conheço nada, mas não ele Jorge disse a mim que ele ficou fazendo questão de ir lá, não a gente vai lá, vamos lá, enfim. Aí apareceu eu com a cara morta de sono, mas eu tive que levantar e aí a gente ficou conversando, minha mãe abraçou, tiramos foto e aí pronto, foi foi e... show de bola. [...] Na época nessa época aí, no auge né da.. era.. era Madona… [...] Que tinha muito sucesso, tinha a Whitney, Whitney Houston e como eu sempre trabalhei é.. com dança né, sempre fazia minhas performances com com dança, interessante que eu já fazia esse tipo de trabalho muito antes mas nada que me... que me desse a liberdade de colocar um vestido e um salto, eu fazia mais performance dançando tem nada disso aí que você está vendo, então depois quando eu passei a conhecer boate, conhecer esses palcos.. e a primeira boate que eu frequentei que eu conheci que eu pisei, foi a boate Caverna. [...] É… foi na boate Caverna que eu , que eu comecei toda essa trajetória aí, que até hoje o povo lembra fala me procura pergunta se eu ainda estou viva, eu digo tô viva gente… [...] Foi na década de oitenta, de setenta não, de oitenta de noventa... entendeu, oitenta e oito… [...] não era tranquilo não, porque nessa época tinha , existia um regime militar né, existia uma... uma ditadura, então a gente é.. era sempre perseguido entendeu, a polícia parava a gente na rua pra revistar sacola, mandava a gente botar botar as roupas de show as coisas da gente num, sabe no chão… [...] Tinha é uma repressão... porque na época não podia ter de menor, transitando na rua de noite, e tudo isso era... é́... chato complicado porque acontecia assim derrepentemente, você tava assim lá na boate dançando brincando daqui a pouco entrava três quatro policiais aí mandava parar som, ligava a luz aí revistava todo mundo, perguntava quem era de menor e causava aquele desconforto todo. E ao longo do tempo foi se desfazendo graças a deus, foi parando um pouquinho. [...] eu na época quando fazia show era de menor, mas eu acho que com a maquiagem com a... com as roupas me envelhecia um pouco, mas quando eles chegavam lá é eu me escondia... o pessoal me escondia pra ninguém me ver lá dentro. [...] Aí eu me metia me embrenhava no meio das roupas de show ficava lá quieta e aí pronto não me achava, porque eu sou de.. né, uma uma coisinha miúda que ninguém ia achar mesmo e pronto. [...] Aí eu ia embora, que dava medo dava viu [...] Ai essa foto é saudade é... um um amor que que perpetuou que até hoje né, Jorge ainda se encontra em vida, Florêncio ainda vejo ainda encontro com ele por aqui, então só que o tempo passou cada um foi seguindo outros rumos outros caminhos, mas quando a gente pode eu pelo menos, Florêncio aqui eu ainda consigo encontrar, Jorge não tanto porque Jorge mora em Lauro de Freitas. [...] Então é um pouquinho longe, distante… [...] Mas fica a saudade eterna saudade aí dessa época, que foi uma época que agregou muita gente boa, entendeu é... abrilhantou muitos rostos e alguns já não estão entre nós mas que marcaram que fizeram parte dessa história também, que seria bom a gente também é lembrar, não só das pessoas que estão aqui em vida que falam com a gente, mas essas pessoas também que já se foram mas que deixaram uma história plantada né no nosso mundo, no nosso universo LGBT. [...] atualmente é teve o site dois terços né, através de genilson coutinho ele fez um documentário, um mini doc é falando das noites aqui da Carlos Gomes, e aí também no... no... nessa. nesse mini documentário ele cita também é.. até através de algumas entrevistas que ele fez com algumas pessoas daqui é a respeito dessa... dessa casa noturna, desta casa chamada Esquis [...] não só Esquis como as outras né.. que que a… [...] ele fez um vídeo com algumas pessoas que ele conseguiu pegar pra é… falar é... o… o... resgatar um pouco o passado dessa época. (Fabiane Galvão, Arquivo Vivo, 2022)
Período
Década de 1980
Exposições
Exposição Museu de Arte Moderna da Bahia MAM - parceria com o Grupo Gay da Bahia GGB. Exposição virtual Arquivo Vivo no Museu Transgênero de História e Arte - Mutha, abertura 02 de março de 2022, longa duração, apoio do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (Prêmio Cultura na Palma da Mão PABB) via Lei Aldir Blanc redirecionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.
Restauro
Extensão “.jpeg” adicionada no arquivo bruto - responsável técnico Juno Nedel (14/09/20222)
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção da Exposição virtual Arquivo Vivo, apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (Prêmio Cultura na Palma da Mão PABB) via Lei Aldir Blanc redirecionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal. Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - MUTHA, para a construção das coleções e catalogação de itens do Arquivo Vivo/AHMUTHA (2022), apoio financeiro FUNDOELAS+ Edital Mulheres em Movimento 2021: fortalecendo a solidariedade e a confiança; EDITAL PROAC Nº 28/2021 – MUSEUS E ACERVOS/REFORMA/AMPLIAÇÃO/MODERNIZAÇÃO Governo do Estado de São Paulo através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
Autorização de Uso
Proibida a utilização total ou parcial desta fonte, em suas diversas formas, como printar imagens e textos, salvar, copiar, replicar, dentre outras. Apenas autorizada a divulgação de link de acesso e título. Para obter autorização para pesquisar, utilizar e citar o acervo do Arquivo Histórico do Museu Transgênero de História e Arte, você deve fazer login e passar pelo processo de cadastramento e aprovação.
Registrado por
Ian Habib | Juno Nedel | Mayara Lacal
Data de Registro
fevereiro 20, 2022
Tags
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