Identificação e Características do Objeto
Miniatura

Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
104
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.AL.2024.0104
Objeto
Fotografia
Título
A Dama e o Vagabundo
Autoria
Desconhecida. “Pode ter sido a Gisela ou o Lucas Ávila, não tenho certeza…” (Jomaka Acervos Transcestrais, Jomaka 2024)
Identidade e Subjetivação
03/05/1991 (Jomaka) | Belo Horizonte (Jomaka) | Intersexo (Jomaka) | Transmasculine (Jomaka)
Descrição Intríseca
A imagem é uma fotografia colorida, nela um jovem e uma senhora mais velha estão sentados lado a lado. O jovem envolve a senhora com o braço direito em um abraço afetuoso. Os dois encostam suas cabeças e sorriem. O jovem é branco, tem cabelos pretos e usa um óculos escuro apoiado no topo da cabeça. Ele veste uma regata preta com a palavra "Hurley" em letras brancas, abaixo da qual há quatro faixas coloridas nas cores vermelha, azul, amarela e verde. Ao seu lado, a senhora, também branca, tem cabelos grisalhos curtos e veste uma regata com estampa floral em tons de verde e vermelho. No fundo, há uma mesa onde três pessoas estão sentadas em cadeiras amarelas. As paredes ao redor são pintadas em tons de azul e roxo.
Dimensões
544x415 pixels
Material
Digital
Origem
Belo Horizonte/Minas Gerais
Procedência
Belo Horizonte/Minas Gerais
Tipo de Aquisição
Doação
Pessoa ex-proprietária
Jomaka
Data de Aquisição
outubro 15, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Olha lá. Oh, gente. Saudade dela. Isso aí foi o aniversário dela. [...] Eu acho que foi de 62 anos. 62 anos. [...] Foi lá no Yanã. Quando o Yanã era lá na Niquelina. [...] Mudei demais.[...] Ah, eu acho ótimo ver, amigo. Eu acho muito bom, assim. Porque materializa, né, as transformações físicas também. E é bom lembrar, né, de tudo que a gente passa, pra gente não desanimar também, né? Já passei muita coisa. [...] Ah, eu acho que essa coisa de buscar coletivos mesmo, de ativismo, ela foi uma grande referência no ativismo pra mim. Eu falava “Quando eu crescer, eu vou ser igual a senhora, viu, vovó?” [...] Quando eu cheguei lá, eu levei um presente pra ela de aniversário. Bobaginha, eu lembro assim, ela me chamou de vagabundo. Aí, na foto, quando ela postou, ela escreveu na legenda da foto “A dama e o vagabundo.”. Aí, eu lembro que eu levei o presente pra ela, ela falou “Ah, não, vagabundo, por que você não pagou comida aqui pra mim? Eu quero é comer, eu quero presente, não.” Me xingando que eu gastei dinheiro que era pra eu pagar a comida dela. [...] Gostava. E cozinhava bem demais. Adorava comer comida pra um monte de gente. [...] Olha, os pratos chefes dela eram rabada e feijoada. Eram os dois melhores. [...] Olha, eu podia até ter até brigado com ela. Num início. Porque ela não aceitava muito, não (não binaridade). Ela falava que a gente estava atrapalhando... Que as pessoas ainda não tinham entendido. Nem o homem trans, a mulher trans, e a gente já estava querendo que as pessoas entendessem outra coisa... Aí, no início, ela fazia umas... Ela xoxava, dava umas... Ficava lá fazendo piada, nananã. Passou algum tempo, ela... Com as conversas, ela também, como eu disse, ela era muito ativa, participativa. Ela começou a escutar muito em rodas de conversa, CRJ, ela queria ter um CRJ. Então, ela ouviu muitas pessoas falando também, né? E no final da vida dela, ela estava levantando a bandeira das pessoas não binárias também. Ela tava falando de união, ela falava que a gente não podia oprimir. Ela só tomou um susto no início, eu diria. [...] Ela que chamou. Pra comemorar o aniversário. [...] Ela adora, adorava. Ela adorava o aniversário. Estava bem animada. [...] Eu lembro da Gisela, do Lucas, do Banjo, Bruno Banjo. Lembro... Deixa eu pensar. Tinha um pessoal do CELOS, que eu não vou saber quem exatamente, acho que o Carlos Magno, do CELOS, tava lá. Tinha pessoa da família de sangue dela, acho que era uma sobrinha. Hm... Aquele cara, o Luiz Moran, que tava lá. [...] Lorena estava lá. A Hany estava lá. A Rhany Mercês. A Babi Macedo. O Heitor Rezende, que é um homem trans, também. [...] acho que é isso mesmo. Foi isso. A gente foi lá, sentado numa mesa grande do lado de fora, comendo, tomando uns drinks, depois teve um bolo. Foi bem tranquilo, assim. Foi um dia bem, bem bom. [...] Tá, na verdade, era aniversário de 64 e foi em 2019. [...] Foi o último aniversário dela presencial. Isso é uma informação. [...] Ela faleceu com 65, né? Ela fez um aniversário na pandemia.” (Jomaka, Acervos Transcestrais, 2024)
Período
2019
Referências Bibliográficas
Não
Exposições
Não
Publicações
Redes Socias, Jomaka e Anyky Lima.
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
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Registrado por
Ian Habib | Mayara Lacal | Beatriz Falleiros
Data de Registro
fevereiro 20, 2025