Identificação e Características do Objeto
Miniatura

Número de Tombo
103
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.AL.2024.0103
Objeto
Fotografia
Título
Jornada para Cidadania
Autoria
Desconhecida. “Não sei, mas foi no meu celular” (Jomaka Acervos Transcestrais, Jomaka 2024)
Identidade e Subjetivação
03/05/1991 (Jomaka) | Belo Horizonte (Jomaka) | Intersexo (Jomaka) | Transmasculine (Jomaka)
Descrição Intríseca
A imagem é uma fotografia colorida, em primeiro plano, mostrando duas pessoas de frente, da cintura para cima. Ao fundo, centralizado, há um banner branco com a palavra "Jornada" escrita em letras pretas e uma ilustração de uma árvore e sua copa é azul. À esquerda do banner, uma bandeira branca está parcialmente hasteada. À esquerda da imagem, Jomaka, um jovem de pele clara, cabelos pretos e camisa xadrez verde de botões inclina levemente o rosto para a direita, simulando a pose de "beijo no ombro". Ao seu lado, Anyky Lima, uma senhora de cabelos curtos e grisalhos, vestindo uma regata com estampa animal print de onça, inclina o rosto levemente para a esquerda, replicando a mesma pose.
Dimensões
437 x 548 pixels
Material
Digital
Origem
Defensoria Pública, Belo Horizonte/Minas Gerais
Procedência
Belo Horizonte/Minas Gerais
Tipo de Aquisição
Doação
Pessoa ex-proprietária
Jomaka
Data de Aquisição
outubro 15, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Acervo
Acervos Transcestrais
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Essa foi um evento na Defensoria Pública. Chamava Jornada da Cidadania. [...] Acho que tinha uma relação com o CRT, talvez. Mas a Duda Salabert tava também no evento. [...] Era Jornada para a Cidadania mesmo, LGBT. Só não lembro qual edição, porque costumava ter todo ano. [...] Era um evento que reunia, é... Pessoas da sociedade civil e do poder público para discutir
direitos da população LGBT. Eai... Nesse evento especificamente, eu fui para fazer uma intervenção de poesia. Eu tava escalado no evento, né? Tava lá como convidado. Um artista convidada. E a Anyky tava representando a ANTRA. E ai a gente fazia falas também, né? Questionava coisas com a Defensoria Pública. Nessa época, a gente ainda não tinha regulamentado, por exemplo, a carteira de… Essa carteira da Polícia Civil, de nome social, que substitui a identidade? Então, lembro que também era uma pauta que a gente puxava. A gente tava falando sobre o Ambulatório Trans também, que ainda não tinha. Era mais… [...] Eu conheci a Anyky por causa do movimento social. Ela tava numa conferência de direitos humanos, como delegada, e eu também era delegado. Então... Conheci ela sim, mas não tinha intimidade nem nada. E aí a gente foi se aproximando, pensando em projetos, em ações para contemplar a população trans, travesti. Aí teve o envolvimento da Gisela também, Gisela Lima. É... E aí minha relação com ela foi só crescendo assim. Eu tinha um carinho muito grande por ela. Eu já fui na casa dela várias vezes. É... Ah! A gente conversava muito por telefone também. Eu lembro que a gente... Durante a pandemia, a gente distribuiu cestas básicas pra a população trans. E a ideia começou com ela. E aí ela me ligou falando “Ah! A gente tem que fazer alguma coisa, porque a prefeitura tá deixando as pessoas com fome, a gente não sabe o que que faz, as pessoas também não podem fazer trabalho sexual”. Porque na pandemia né, as trabalhadoras sexuais também sentiram muito. E a Anyky tinha uma casa que moravam travestis, a grande maioria trabalhava, é… Com sexo. E aí a gente começou, puxou essa campanha de arrecadação, aí na casa dela ficavam cestas básicas também, que o pessoal doava, levava para lá, levava para a minha casa. A gente começou a articular como que ia cadastrar as pessoas. E aí foi isso, eu lembro direitinho que ela falou assim “Ah, depois dessa pandemia eu vou fazer um... To doida pra essa pandemia acabar para gente fazer um almoço, comemorar, não sei o que...” Fazer uma feijoada, mas ela morreu na pandemia, né? Então ela não viu a pandemia acabar. É... e essa foto foi no final do evento. Eu tenho até uma outra foto que junta, tem um grupo grande, mas como era o prêmio do museu, eu quis colocar só essa parte aí. Ela era muito piadista, muito gracista, ela fazia... “Vem cá, Joãozinho, vem cá, vamos segurar a bandeira.” Aí fazia um beijo... Como é que é? “Beijinho no ombro, para o recalque passar longe.” Ela ficava muito gracinha. Me chamava de neto também, me chamava de doidinha. Iiii... era uma farra. [...] aí a gente já tava mais íntimo, aí a gente já tinha uma relação um pouco maior, mas eu vi ela a primeira vez nessa Conferência Municipal de Direitos Humanos, que era uma conferência que acontecia acho que de dois anos em dois anos, se não me engano. E aí eu era delegado principal e ela também. E aí, depois ia para estadual, depois para profissional. [...] Ela me acolheu muito, ela me ensinou muito. É... E eu, se eu pudesse ser 1% do que ela foi, do que ela fez para a nossa população assim, eu vou ficar muito feliz. Então eu espero também que eu também seja um transcestral, igual a ela. Que ela assim... Tenho muito amor por ela... Então a mensagem é de agradecer e saber que ela incentiva a gente a continuar, né? Lutando pelos nossos direitos, a ficar vivo também. Ela era uma pessoa muito alegre, ela doente, ela passando dificuldade, ela não perdia o bom por ela, não perdia a alegria, ela não reclamava, ela gostava de viver com alegria, sabe? Então ela me ensinou muito, assim. Eu acho que eu era mais reclamão, sabe? E ficava mais brava e tal. E ela até brigando com a galera por causa dos direitos, ela conseguia arrancar risada das pessoas, né? Porque até lutando, ela era engraçada, ela tinha um humor assim… [...] Ah! O pessoal era tudo era doido por ela, sabe? Na casa era um carinho, ela era a rainha, ela era a rainha mesmo, assim. E ela tinha muitos cachorros, ela tinha uns 20 cachorros, sem exagero. Dormia tudo em cima da cama com ela, aí tinha o João Nery, o cachorro que ela chamava, o João Nery. Ah, ela era muito engraçada, todo mundo era apaixonado com ela. Na casa você via assim, que as meninas tudo faziam as coisas para agradar a ela, e todo mundo com muita gratidão, porque ela tirou muita gente da rua, ela ajudou muita gente, ela conseguiu né? Trabalho para muita gente também. Ela é inesquecível mesmo, a figura, quem que teve a possibilidade. Eu acho que só tem coisas boas para lembrar dela. [...] Olha, ela era uma pessoa muito ativa no ativismo. Então, quando eu penso em Anyky, eu penso muito em acolhimento para as trabalhadoras sexuais, penso muito em combate à fome, eu acho que ela era muito grande nessa... E na saúde também. Ela tinha muito forte a pauta de saúde, tanto que o ambulatório chama Ambulatório Trans Anyky Lima, não é à toa, porque ela estava em todos os momentos da construção do ambulatório. E é isso, ela participava da ANTRA, ela fez mapeamentos, né? De coisas de violência, de população que o governo não faz. Eu acho que ela não dá para recortar, assim. Ela era a bandeira trans, travesti mesmo. Tudo que fosse relacionado, ela tava querendo ver, acontecer, sabe? [...] (Inaudível) que não eram trans travesti também, ela acolhia, ela.. Todo mundo conhecia ela. Nas casas... Ela era uma pessoa muito respeitada, muito mesmo. [...] eu acho essa foto muito a cara dela, ela era muito divertida, e ela fazia as gracinhas e a gente acabava imitando, né? Fazendo a mesma coisa, ela contagiava alegria mesmo. E esse momento foi muito... Eu lembro direitinho ela falando “Vem cá, vamos segurar a bandeira e mandar um beijo pro recalque, um beijo no ombro.” [...] É, debochada, muito debochada. [...] Falava uns palavrão, ela era surreal, gente, eu só ficava rindo perto dela.” (Jomaka, Acervos Transcestrais, 2024)
Período
Entre 2016 e 2017
Referências Bibliográficas
Defensoria; “Generalidades ou Passarinho Loque Esse”, de autoria de Jomaka; Coletânea Academia Transliterária.
Exposições
Não
Publicações
Redes Socias - Jomaka, Anyky, Transvest.
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
Autorização de Uso
Proibida a utilização total ou parcial desta fonte, em suas diversas formas, como printar imagens e textos, salvar, copiar, replicar, dentre outras. Apenas autorizada a divulgação de link de acesso e título. Para obter autorização para pesquisar, utilizar e citar o acervo do Arquivo Histórico do Museu Transgênero de História e Arte, você deve fazer login e passar pelo processo de cadastramento e aprovação.
Registrado por
Ian Habib | Mayara Lacal | Beatriz Falleiros
Data de Registro
fevereiro 20, 2025
Tags
03/05/1991 | Ambulatório Trans | ANTRA | Anyky Lima | artevismo | artevismos | ativismo | ativismos | Belo Horizonte | cidadania | Conferência Municipal de Direitos Humanos | criminalização da LGBTIfobia | CRT | decreto | decretos | defensoria pública | direitos | direitos da população LGBT | homem trans | homem transexual | homem transgênero | homens trans | homens transexuais | homens transgêneros | intersexo | intervenção | Jomaka | Jornada da Cidadania | lei | leis | liderança | lideranças | mapeamento | movimento social | mulher trans | mulher transexual | mulher transgênera | mulher transgênero | mulheres trans | mulheres transexuais | mulheres transgêneras | mulheres transgêneros | nome social | nomes sociais | poesia | política pública | políticas públicas | população trans | população travesti | portaria | portarias | prostituição | prostituta | prostitutas | retificação de nome e gênero | trabalhadora do sexo | trabalhadora sexual | trabalhadoras do sexo | trabalhadoras sexuais | trabalho sexual | trabalhos sexuais | transfeminilidade | transfeminilidades | transfeminina | transfemininas | transfeminine | transfeminines | transfeminino | transfemininos | Transhomem | Transmasculine | transmasculinidade | transmasculinidades | transmasculino | travesti | travestis