Identificação e Características do Objeto
Miniatura
Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
187
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.CF.2024.0187
Objeto
Fotografia Digitalizada
Título
José Arimateia de Carvalho da Silva (Cintura Fina) - 02
Autoria
José Gontijo, reportagem de Wanderley Lima.
Identidade e Subjetivação
Descrição Intrínseca
Retrato em preto e branco de Cintura Fina, uma pessoa com pele escura. Seu rosto é bem definido, com cabelos ondulados e pretos, sobrancelhas grossas e olhos abertos reflexivos. Os lábios estão fechados, e seu olhar fixo se desvia da câmera. Com as pontas dos dedos, toca suavemente a lateral esquerda do queixo. No dedo anelar, há um anel grosso. Veste uma camiseta branca aberta no pescoço.
Dimensões
245 x 412 pixels
Material
Digital
Origem
Acervo do Jornal Estado de Minas, Belo Horizonte, Minas Gerais
Procedência
Belo Horizonte, Minas Gerais
Observações
Não
Tipo de Aquisição
Transferência
Pessoa ex-proprietária
S.A. Estado de Minas
Data de Aquisição
dezembro 17, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“No segundo domingo de janeiro de 1975, o Estado de Minas estampou uma entrevista do jornalista José Fialho Pacheco com Cintura Fina ocupando ¾ de uma página; o outro quarto continha um anúncio publicitário de uma escola particular. O texto da entrevista ainda dividia espaço com três grandes fotos de Cintura Fina: em uma imagem, ela está sentada na escada de acesso ao barracão onde morava no Morro do Querosene. Ou seja, mais uma vez está distante da mãe de criação, o que não significa que estivesse amuada ou brigada com ela. A fachada do barracão não tem janela e conta com apenas duas portas estreitas, entre as quais uma tabuleta anuncia em caixa-alta, em texto contínuo: ‘ALFAIATARIA POPE CONFECÇÕES SOB MEDIDA: CALÇAS PANTALONA, CAMISAS, JAQUETAS, SAFARES ZEZÉ ALFAIATE’ (Estado de Minas, Belo Horizonte, ano XLVII, n. 13.406, 1º Caderno, 12/01/1975, p. 13.).
A placa é muito clara ao demonstrar, na maneira como se faz anunciar, a intenção que Cintura Fina mantém de se dissociar desse cognome ao se referir como ‘Zezé alfaiate’. Impõe-se observar um processo dúbio: vai se desenvolvendo o ensejo de renunciar ao nome (adotando Navalhada, referindo-se a Cintura Fina como seu irmão, recorrendo ao discurso de regeneração) ao mesmo tempo em que o conjunto de imagens associadas à figura Cintura Fina aciona valores que confluem para certo reconhecimento social, ainda que este varie conforme o espaço por onde ela circula. Seria algo como: quero me afastar do nome, mas não da fama que o nome traz; mas a fama está ligada ao nome – afastar-se de um é esfumar a outra. Como manter a densidade da fama distanciando-se do nome?” (MORANDO, Luiz. Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte. Belo Horizonte: O Sexo da Palavra, 2020.)
Período
04 de abril de 1987
Referências Bibliográficas
Enverga, mas não quebra: Cintura Fina, de Luiz Morando (https://www.osexodapalavra.com/product-page/enverga-mas-n%C3%A3o-quebra-cintura-fina-em-belo-horizonte)
Exposições
Desconhecido
Publicações
Publicada no Jornal Estado de Minas em 04 de abril de 1987, página 01, 2ª Seção.
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
Autorização de Uso
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Data de Registro
fevereiro 20, 2025
Registrado por
Ian Habib | Mayara Lacal | Beatriz Falleiros
