Identificação e Características do Objeto
Miniatura
Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
186
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.CF.2024.0186
Objeto
Fotografia Digitalizada
Título
José Arimatéia de Carvalho da Silva (Cintura Fina) 06
Autoria
Desconhecida
Identidade e Subjetivação
Descrição Intrínseca
Retrato em preto e branco de Cintura Fina, uma pessoa com pele escura. Seu rosto é bem definido, com cabelos ondulados e pretos, sobrancelhas marcantes e olhos bem abertos que desviam da lente e olham para o lado esquerdo da foto. Usa uma camisa branca. Ao fundo uma parede com um quadro com um mapa onde é possível ler “orizonte’.
Dimensões
306 x 294 pixels
Material
Digital
Origem
Acervo do Jornal Estado de Minas, Belo Horizonte, Minas Gerais
Procedência
Belo Horizonte, Minas Gerais
Observações
Não
Tipo de Aquisição
Transferência
Pessoa ex-proprietária
S.A. Estado de Minas
Data de Aquisição
dezembro 17, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Em 1947, com 14 anos, dois fatos marcaram a vida de Cintura Fina. O primeiro tem a marca familiar: seu pai o procurou e ambos se conheceram. Mas o encontro foi rápido e não gerou relação de afeto ou proximidade. O segundo fato tem o traço afetivo-sexual: Cintura estava matriculada em um seminário de Fortaleza, frequentando suas aulas. Ela se apaixonou por dois colegas que eram primos. Uma relação não muito bem esclarecida de assédio, sedução e contato sexual se desenvolveu entre os três dentro da escola. Provavelmente descoberta e envergonhada, Cintura Fina evitou voltar para a casa das tias e passou a morar na zona de meretrício de Fortaleza, conhecida como Curral das Éguas. A própria Cintura Fina relatou esse episódio:
Porque quando eu ‘tive no seminário, aconteceu esse ato comigo no seminário, né, Waldomiro Piccinini e Eduardo Piccinini, eram primos. Eu tinha adoração pelos dois. Era apaixonado por eles. Lá, nós estudávamos tudo junto. E eu estudava bastante e as minha matéria eu ensinava tudo pra eles. Eu fiquei muito envergonhado com o que passou, mas eu com vergonha de ir pra casa, derivado da minha família, não quis voltar. Aí fui morar logo na zona, no Curral das Éguas como chama zona na minha terra, né? E, derivado a isso, eu fazia outras coisas aí diferente, que às vezes é até impróprio falar.
Como foi comum na vida de diversas pessoas que exprimiam uma forma de sexualidade dissidente, Cintura Fina ganhou experiência e traquejo na zona de meretrício de Fortaleza. Não se sabe quanto tempo ela ficou no Curral das Éguas e nem o motivo que a levou a se deslocar para Natal, no Rio Grande do Norte. Na capital potiguar, ela também se fixou na zona de prostituição, onde sofreu perseguição e violência da polícia.” (MORANDO, Luiz. Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte. Belo Horizonte: O Sexo da Palavra, 2020.)
Período
08 de agosto de 1972
Referências Bibliográficas
Enverga, mas não quebra: Cintura Fina, de Luiz Morando (https://www.osexodapalavra.com/product-page/enverga-mas-n%C3%A3o-quebra-cintura-fina-em-belo-horizonte)
Exposições
Desconhecido
Publicações
Jornal Estado de Minas, página 14, 1º Caderno.
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
Autorização de Uso
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Data de Registro
fevereiro 20, 2025
Registrado por
Beatriz Falleiros | Mayara Lacal | Ian Habib
