Identificação e Características do Objeto
Miniatura
Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
182
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.CF.2024.0182
Objeto
Fotografia Digitalizada
Título
José Arimatéia de Carvalho da Silva (Cintura Fina) 09
Autoria
Desconhecida
Identidade e Subjetivação
Descrição Intrínseca
Retrato em preto e branco de uma pessoa com pele escura. Seu rosto é bem definido, com cabelos ondulados e pretos, sobrancelhas grossas e olhos arredondados, sua boca está semi aberta como se estivesse falando. Usa camiseta manga curta clara e calças claras, a mão direita repousa em sua coxa enquanto a outra numa mesa lateral. A fotografia está carimbada e a tinta do carimbo é esverdeada, com dizeres ilegíveis.
Dimensões
264 x 467 pixels
Material
Digital
Origem
Acervo do Jornal Estado de Minas, Belo Horizonte, Minas Gerais
Procedência
Belo Horizonte, Minas Gerais
Observações
Não
Tipo de Aquisição
Transferência
Pessoa ex-proprietária
S.A. Estado de Minas
Data de Aquisição
dezembro 17, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Na terceira parte da reportagem, há a referência à ‘mãe’ que fazia roupinhas para recém-nascidos. Aqui posso começar a puxar uma parte do fio que deixei solto: na Parte II, quando Cintura Fina foi esfaqueada por Nilza Ferreira no bar Ponto Chique, mencionei que ela deu como residência, durante seu depoimento, o endereço de Maria Conceição da Silva, a dona Naná. Ao que tudo indica, Cintura Fina conheceu essa senhora enquanto cumpria pena de sete meses no presídio Antônio Dutra Ladeira por ter ferido Geraldo Anatólio Pinto em 1961. D. Naná tinha um centro espírita (sobre o qual esclarecerei mais tarde) na rua Francisco Bicalho, 1.599, no bairro Monsenhor Messias, onde desenvolvia ações de apoio a pessoas desfavorecidas. Era comum algumas mulheres da zona boêmia procurar pela ajuda que d. Naná oferecia sob a forma de mantimentos, pagamentos de diárias atrasadas nos hotéis e conforto espiritual. Após sua soltura, em 1962, Cintura Fina foi amparada por d. Naná ao procurá-la para uma ‘consulta espiritual’ no Centro Espírita Santa Bárbara Virgem. D. Naná morava em um lote onde, além de sua casa, havia pequenos barracões que ela alugava. É muito provável que, em algum momento daquele ano, após ganhar liberdade, Cintura tenha procurado e começado a prestar serviços a d. Naná, como a venda de roupinhas de bebê, como ela se referiu. Isso também ajuda a compreender a informação que Cintura Fina deu em seu depoimento de 28 de junho de 1964, após ter espancado Mário Araújo: ‘que, de fato, encontrava-se hoje, à hora do almoço, na rua Mauá, na sua parte infestada por mulheres prostituídas, às quais, pela sua condição de ‘médium espírita’, vai prestar assistência espiritual, dando-lhes passes para melhorar-lhes a vida’ (Processo/Apelação n. 2.055, p. 6. Grifos meus). Em contrapartida, face à perseverança de d. Naná por tentar ‘recuperar’ a travesti, esta morava em um dos barracões sem pagar aluguel.” (MORANDO, Luiz. Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte. Belo Horizonte: O Sexo da Palavra, 2020.)
Período
29 de junho de 1973
Referências Bibliográficas
Enverga, mas não quebra: Cintura Fina, de Luiz Morando (https://www.osexodapalavra.com/product-page/enverga-mas-n%C3%A3o-quebra-cintura-fina-em-belo-horizonte)
Exposições
Desconhecido
Publicações
Jornal Diário da Tarde, página 12.
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
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Data de Registro
fevereiro 20, 2025
Registrado por
Ian Habib | Beatriz Falleiros | Mayara Lacal
