Identificação e Características do Objeto
Miniatura

Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
162
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.DC.2024.0162
Objeto
Fotografia Analógica Digitalizada
Título
Demétrio Campos Bebê
Autoria
Ivoni Campos
Identidade e Subjetivação
20 de Maio de 1996 (Demétrio Campos) | Afro-Indígena (Demétrio Campos) | Homem Transmasculino (Demétrio Campos) | Ivoni Campos: “Primeiro transmasculino quilombola do Brasil, pesquisei e não localizei outros” | Macaé/Rio de Janeiro (Demétrio Campos) | Quilombola (Demétrio Campos)
Descrição Intrínseca
Fotografia colorida de uma foto analógica sobre um fundo branco. Demétrio Campos, uma criança negra de cabelos curtos pretos, olha fixamente para a câmera e sorri. Com o peito nú, está sentado em um lençol branco com estampas de rosas vermelhas e folhas verdes. Ao fundo se vê parcialmente uma cama com uma coberta lilás de bolinhas brancas. Demétrio sorri para a câmera e toca seu pé esquerdo com sua mão direita.
Dimensões
899x1599
Material
Digital
Origem
Tamoios (Terra Indígena e Quilombola)/Cabo Frio/RJ
Procedência
Tamoios (Terra Indígena e Quilombola)/Cabo Frio/RJ digitalização feita em Belo Horizonte/BH
Observações
Não
Tipo de Aquisição
Doação
Pessoa ex-proprietária
Ivoni Campos
Data de Aquisição
outubro 15, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Essa foto, o Demétrio tava aprendendo a engatinhar. Ele tava se eu não me engano, acho que com uns oito meses de idade… [...] Melhor. Tava com oito meses e pouquinho, se não me engano, o Demétrio andou cedo. [...] O Demétrio tinha a canelinha fina, né? Dizem que quando a criança tem a canela fina… [...] Anda rapidinho. [Risos] [...] Foi em Tamoios, eu passei um tempo... Morei na casa dos meus pais, porque eu não tinha onde morar, né? Isso aí era a sala do meu pai, aí eu coloquei, botava só mantinha no chão assim e colocava ele em cima. [...] Ele ia engatinhando para tudo que é canto, né? Como o chão não era de azulejo, não era aqueles... Aqueles, como fala, encerado, né? Feito com cimento, machucava o joelho dele todo, aí eu colocava o paninho e deixava ele em cima. [...] É... Fazia arte, fazia tudo. [...] Foi, eu tirei, eu tirei muita foto, tinha muita foto. Eu tenho uma fitinha daquela antiga, gente, eu não queria perder aquilo ali, tinha duas. Uma se perdeu, a uma tá comigo. É... Daquelas fitinhas pequenininhas que você bota dentro da fita grande, entendeu? Eu não sei nem como que eu faço para revelar aquilo ali. Tem várias imagens do Demétrio pequeninho. Eu já lutei para procurar um lugar para transformar aquilo ali, sabe? Para digitalizar, mas eu não faço a mínima ideia de como fazer aquilo ali. Tá comigo guardado. Eu acho que eu vou bater as botas e morrer, mas eu não vou conseguir transformar aquilo ali em imagem normal de hoje em dia, sabe? [...] Foi a primeira casa que minha mãe morou, entendeu? Foi a primeira foto que eu tirei. Tem foto também, tem outras fotos que eu até ia te mandar, Ian, mas eu selecionei assim as que eu achei mais significativas. Eu tenho a fotinha, o Demétrio sempre teve, desde que nasceu. Demétrio nasceu careca, não tinha um fiapo de cabelo na cabeça, entendeu? Eu... A gente é mãe, a gente nota as coisas, né? Dos nossos filhos, mas às vezes a gente se faz de desentendido, às vezes a vida é um corre corre. A estrutura óssea do Demétrio era toda de menino. O braço dele, as pernas dele, quando ele bateu um aninho, um pouco, que ele começou a andar mesmo. Eu tenho uma fotinha dele com um aninho, acho que dois meses ele em pé. E o braço dele, a clavícula dele, tudo de menino. [...] nasceu careca, todo mundo perguntava pra mim se era um menino. Aí, quando ele bateu mais ou menos um aninho, um pouquinho, ele começou a andar. Entendeu? O braço dele, as curvas da perna, a clavícula dele, a parte do tronco dos membros superiores, era de menino. Entendeu? Demétrio, quando ele bateu uns 10 anos de idade, soltava pipa sem camisa. Eu falava, Demétrio, “Bota camisa!”, porque eu tava crescendo os peitos, entendeu? “Bota camisa, eu sou menino.” [...] Ele falava que tinha uns 7, pra 9, 10 anos de idade, mais ou menos. [...]Tem essa fotinha e tem mais outra também, ele andando, se segurando, andando na beirinha da cama. Um aninho e pouquinho, mais ou menos. [...] Porque era verão, você pode ver? Porque tava de fralda, um calor terrível. Tava quente. E a casa da minha mãe era aquela telha de amianto. Foi isso mesmo. Verão de 1997 [...] Ficava o dia todo de fralda, quando não era isso, usava uma coisinha pra ficar bem fresquinho. [...] Olha, eu tenho quase quatrocentas fotos dessa aí. [...] as que eu consegui separar, tá tudo guardado. Tem foto de tudo. Demétrio pequenininho, de várias fases da vida. Tem da minha família, da minha tia, do quilombo. Tem tudo. [...] Tinha um monte, um monte, um saco cheio. Aí a minha tia, muito sem conhecimento, né? Minha avó morreu, minha tia deu pras crianças a brincar, estragou tudo, perdeu tudo. Eu fiquei tão triste. [...] (Ivoni Campos, Acervos Transcestrais, 2024)
Período
Foto analógica de Janeiro de 1997
Referências Bibliográficas
Não
Objetos Associados
MUTHA.AH.AD.AT.DC.2024.0163, MUTHA.AH.AD.AT.DC.2024.0164
Exposições
Não
Publicações
Não
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
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Registrado por
Ian Habib | Mayara Lacal | Beatriz Falleiros
Data de Registro
fevereiro 19, 2025