Identificação e Características do Objeto
Miniatura

Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
98
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.JN.2024.0098
Objeto
Fotografia
Título
João Nery com edição independente do 1º livro de Jomaka
Autoria
Lucas Ávila “Eu acho que foi o Lucas Ávila, só pode ter sido ele” (Jomaka Acervos Transcestrais, Jomaka 2024)
Identidade e Subjetivação
03/05/1991 (Jomaka) | Belo Horizonte (Jomaka) | Intersexo (Jomaka) | Transhomem (João W. Nery) | Transmasculine (Jomaka)
Descrição Intrínseca
Foto colorida. Sentados em um sofá cinza com almofada geométrica. João W Nery, um homem branco, usando um chapéu marrom, óculos de grau e casaco preto posa para foto segurando um livro. Ao seu lado Jomaka, um jovem branco de cabelos curtos preto, veste uma camiseta preta com uma estampa de faixa vermelha escrita “@mascucetas”, ambos se abraçam e sorriem.
Dimensões
547x548
Material
Digital
Origem
Belo Horizonte/Minas Gerais
Procedência
Belo Horizonte/Minas Gerais
Observações
Não
Tipo de Aquisição
Doação
Pessoa ex-proprietária
15/10/2024
Data de Aquisição
outubro 15, 2024
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Então, essa foto aí é exatamente depois daquela que ele estava lendo. Porque aquela que ele está lendo, vocês viram que ele ta sem chapéu. Então foi tirado sem ele ver também. Nem eu vi, nem ele viu, na verdade. Essa aí a gente já posou para a foto. Aí você vê que ele pôs o chapéu, segurou o livro. [...] Acho que é isso. A coisa que ele trouxe também, o incentivo né? De eu continuar na
literatura, e eu ainda estou na literatura, né, continuo. Acho que foi um momento muito importante para mim, de autoestima, de autoconfiança, de querer acreditar mais também na minha arte, na minha poesia. É...Ah... Não sei, acho que é isso mesmo. Eu lembro que foi o último momento assim, que tava só eu e ele. Aí na hora
que, nessa hora aí os meninos chegaram, a gente “Uh! Chegaram!”. Aí a gente já pegou o violão, já, já conheceu o Lui, o Rodrigo, o Banjo. Já começou outra, né? Já começou outra coisa, já virou um pouco o dia. É, aí foi bom, porque aí ficou nós cinco, né? E aí ele... É, foi bem... Já falei, assim que eu lembro mesmo desse dia. [...] É... Eu acho que ele, que ele deu uma lição né? Para a gente, para nós, né? Porque é isso, quando ele tava lutando por tudo que ele lutou, o que está falando no livro dele também, Em Viagem Solitária, ele estava solitário, né? [...] Então, eu acho que a gente tem que lembrar da força que ele teve, da coragem que ele teve. Ele viveu tempos de ditadura militar, ele não tinha nenhum direito garantido, não tinha nome social, não tinha nada. Ele foi pioneiro na hormonização, na cirurgia, ele encarou, ele abriu os caminhos para a gente, né? Então, acho que se ele conseguiu naquela época, com tantas dificuldades, a gente precisa lembrar disso para ter força e conseguir também e tomara que na próxima geração, as pessoas que venham possam ter mais... É...Não, não passem pelas coisas que a gente está passando ainda, né? Que a gente faça também pelas próximas gerações, igual ele fez para a nossa. Acho que é por aí. [...] Olha, quando eu comecei, eu falava homem trans. E meu nome, inclusive, não era João Maria, meu nome era João Vitor. [...] E... eu acho que eu chamei João Vitor por uns seis meses. Aí eu comecei a...a... pensar sobre questões intersexo e comecei a pensar sobre questões não binárias também. É...E aí o termo homem começou a me incomodar nesse lugar. E esse Vitor também começou a me incomodar, porque eu achei que esse nome ficou muito... muito cis, muito binário. [Risos] Aí... eu fui e pensei em João Maria, porque João por causa do meu avô, por causa do João Nery, e Maria por causa da minha mãe. É...Ele... eu lembro... que... em 2015 houve uma… o primeiro ENAHT na USP. E ali já tinha algumas pessoas transmasculinas não binárias. E aí eu lembro que teve um momento que ele tava na mesa e que alguns homens trans tavam sendo transfóbicos com essas pessoas masculinas não binárias. E o João Nery pegou o microfone e chamou a atenção, né? Falando que não concordava com essa separação que tavam fazendo, que a gente tava reproduzindo opressões. E que se a pessoa, né, era não binária, ela era não binária, ela tinha que ser respeitada também, algo assim. Mas ele tinha... ele tinha muito conhecimento de políticas públicas, de termos, e... eu acho que ele não se nomeava um pesquisador de gênero, mas ele tinha toda a linguagem, também. Então, para mim, ele era um pesquisador também. E aí eu comecei a me entender transmasculino nessa época aí também, mais ou menos em 2016, eu já não estava usando homem trans mais. Então, quando, nesse encontro específico aí com ele, nessa foto, eu não tava homem trans, não.” (Jomaka, Acervos Transcestrais, 2024)
Período
Entre os anos de 2018 e 2019
Referências Bibliográficas
“Generalidades ou Passarinho Loque” de autoria de Jomaka; “Viagem Solitária” de João W Nery.
Objetos associados
MUTHA.AH.AD.AT.JN.2024.0095, MUTHA.AH.AD.AT.JN.2024.0096
Exposições
Não
Publicações
Redes Sociais de Jomaka
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023
Autorização de Uso
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Registrado por
Ian Habib | Beatriz Falleiros | Mayara Lacal
Data de Registro
fevereiro 20, 2025