Identificação e Características do Objeto
Acervo
Acervos Transcestrais
Número de Tombo
192
Número de Registro
MUTHA.AH.AD.AT.MA.2024.0192
Objeto
Audiovisual/Filmagem Digital
Título
AMAR SEM MEDO - reencontro transcestral
Autoria
Curimatã Oliveira
Descrição Intrínseca
Fotografia colorida, em letras vermelhas: “AMAR SEM MEDO” é o título. O subtítulo está em preto, menor e diz “reencontro transcestral”. No fundo, um mar azul com pequenas ondas.
Dimensões
1.920 x 1.080 pixels
Material
Digital
Origem
Joaquim Távora, Fortaleza, Ceará
Procedência
Fortaleza
Observações
Não
Tipo de Aquisição
Doação
Pessoa ex-proprietária
Curimatã Oliveira
Data de Aquisição
fevereiro 20, 2025
Estado de Conservação
Bom
Classificação Etária
Livre
Informações Contextuais
Descrição Extrínseca
“Ele foi um filme praticamente feito pro prêmio, né? Tipo, eu peguei tudo que eu tinha, não tudo, né? Mas peguei várias coisas, vários registros que eu tinha tanto de fotografia como de vídeos mesmo pelo celular e fui criando uma narrativa com isso, assim. [...] Foi um vídeo praticamente de uma, foi praticamente uma carta, né? Uma carta de despedida, assim, porque como foi muito assim do nada, então demorei um certo tempo também, foi uma forma de lidar com o luto, né? Quando eu vi essa premiação e aí tinha essas duas fotografias mas eu fiquei pensando, ah, mas queria entregar alguma outra coisa aí eu lembrei que tinha vídeos, tinha outras coisas e resolvi fazer esse pequeno filme, né? Desses registros todos e como uma carta mesmo. [...] E aí eu gravei minha voz também e botei como áudio e também áudios do WhatsApp que ela tinha me enviado, então tinha uma música que eu tinha escrito e eu tinha mandado pra ela, então o filme inicia com ela cantando essa música que foi uma gravação do WhatsApp. [...] Foi basicamente isso do que eu tinha falado antes, né? De ser uma carta de despedida, basicamente, né? E também como uma lembrança, uma memória daquilo que a gente viveu, assim. A gente se relacionou também. Ela foi uma amiga que eu encontrei e a gente virou muito, muito amigo. E aí, de repente, assim, a gente começou a se relacionar também, intimamente. E pra mim foi muito novo e eu acho que pra ela também. E aí teve um momento, acho que foi da última vez que a gente saiu realmente. A gente tava ia dançar um reggae e tal. Aí ela falou assim “Olha, eu tenho muito medo de amar, mas eu vou com medo mesmo.” Aí eu falei assim “Pô, eu também vou.” Aí a gente depois foi dançar um reggae. Aí foi, foi isso. Aí depois a gente foi pra casa dela e tal. E aí me veio muito isso na cabeça, né? De falar isso, tipo, de amar sem e medo. E aí por isso o título do filme. E... É... Quando ela partiu também, eu fiquei muito com vontade de escrever, de contar essa história, né? Tipo, de que é possível dois corpos trans se amarem e ter essa permissão ao amor, né? De forma leve, não de uma forma que a gente só conhece assim, né? Com, com traumas e várias outras coisas.E daí... Enfim, eu tinha colocado isso na minha cabeça. E aí após essa fazer esse pequeno filme, né? Fiquei afim também de aumentar ele, né? De transformar ele em uma animação. Mas aí são coisas de pesquisas que tão sendo feitas, já respondendo a outra pergunta que talvez vai ser feita. Ela tá sendo feita como uma pesquisa pra realização dessa animação. Já que agora eu vou ter recursos pra fazer essa animação, né? Tipo, recursos que eu digo de habilidades
mesmo. Porque antes eu ficava, tipo assim, “Quero fazer uma animação.” “Sei fazer uma animação?” “Não sei. Mas eu vou aprender a fazer.” E aí foi muito isso, assim.
Aí eu tô [inaudível] de animação da Vila das Artes, né? E aí, como tem esse processo de fazer TCC e coisas desse tipo, aí já tô colocando como pesquisa também pra realizar, fazer uma animação a partir desse filme. [...] Eu desisti pra poder estudar outras coisas. [Risos] Estudar animação e pintura eu tive que dar uma pausa, mas eu fazia letras ali na UFC, né? Então eu tive que decidir. E aí com a partida dela também, isso muito transformou as coisas da minha vida, né? Porque eu fiquei tipo assim, pô, todo mundo vai morrer um dia. Eu vou morrer um dia. E aí o que é que eu vou deixar também assim, né? Querendo ou não. Porque eu fiquei tipo olhando para tudo. E aí tem aquele processo de luto que você fica meio na merda mesmo, né? Desculpa a palavra, mas… [...] Pois é. E aí foram momentos que eu entrei num buraco. E eu fiquei, pô, não quero ficar fazendo isso aqui lá na faculdade. Enfim, muitas transfobias, muitas coisas acontecem lá. E eu estava tipo de saco cheio. E aí como eu estava pensando, quero estudar animação. Aí abriu o negócio da Vila das Artes. Eu falei assim, pô, ou vou estudar a faculdade ou vou estudar animação. Mas eu fui assim, para a animação. E aí fui. [...] (Curimatã Oliveira, Acervos Transcestrais, 2024)
Período
2024
Referências Bibliográficas
Não
Exposições
Não
Publicações
Youtube Pessoal Curimatã Oliveira
Restauro
Não
Pesquisas
Pesquisa realizada pelo Museu Transgênero de História e Arte - Mutha para a construção das coleções pertencentes ao eixo temático Acervos Transcestrais, contemplada por meio do edital Funarte Retomada Ações Continuadas - Espaços Artísticos 2023.
Autorização de Uso
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Data de Registro
fevereiro 20, 2025
Registrado por
Beatriz Falleiros | Mayara Lacal | Ian Habib